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Palestra discute representatividade e desafios da juventude negra

Da esquerda para a direita: Inara Flora Cipriano Firmino e Abab Nino Souza Félix Pereira Batista, coordenadora e assistente de pesquisa do NAPJUS, respectivamente De acordo com pesquisa realizada em 2025 com apoio do Ministério da Igualdade Racial (MIR), 84% das pessoas pretas no Brasil afirmam já ter sofrido algum tipo de discriminação. O dado evidencia que a pauta racial é um assunto que precisa estar presente em diferentes espaços da sociedade, como escolas, ambientes de trabalho e também instituições públicas, como Poder Judiciário.  Pensando nisso, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), por meio da Secretaria-Geral de Sustentabilidade e Responsabilidade Social (SGSUS) realizou na tarde desta quarta-feira, 17 de junho, a palestra “Juventude Negra em Movimento: conversa sobre futuros possíveis”. O evento, que ocorreu no auditório Antonio Carlos Amorim, reuniu participantes dos projetos sociais Começar de Novo, Justiça pelos Jovens, Jovens Mensageiros e Inclusão Legal para promover a reflexão sobre pertencimento, ocupação de espaços e desafios enfrentados pela juventude negra em suas trajetórias pessoais e profissionais.  A coordenadora do Núcleo de Atenção à Justiça Social (Napjus), Inara Flora Cipriano Firmino, iniciou a palestra apresentando o Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele consiste na adoção de iniciativas realizadas no Judiciário com o objetivo de combater as desigualdades raciais. Em seguida, foi realizada uma dinâmica que convidou os participantes a reflexão sobre o que significa ser um jovem negro no Brasil, apontando obstáculos enfrentados em diferentes espaços da sociedade, como o acesso à educação e oportunidades de ascensão social.   Representatividade foi o principal tema abordado pela assistente de Pesquisa, Educação e Assessoramento no Napjus, Abab Nino Souza Félix Pereira Batista. Depois de explicar aos jovens os conceitos de racismo estrutural, institucional e recreativo, ela contextualizou acontecimentos históricos desde a Lei Áurea até a Constituição e estimulou o debate sobre criminalização da cultura negra e periférica, utilizando o rap e o funk como exemplos.  “Os movimentos sociais são construídos a partir de dados de violência. Como a gente não vai falar sobre isso, observando como a juventude negra está representada quando ligamos a televisão ou nos filmes, por exemplo? Nós sempre fomos excluídos de determinados espaços, e é por isso que devemos ouvir e respeitar as histórias de nossos avós e bisavós.”  Encerrando o evento, as palestrantes apresentaram o serviço dos Comitês de Promoção da Igualdade de Gênero e da Prevenção e Enfrentamento dos Assédios e da Discriminação (Cojens), que promovem a igualdade e combatem assédios no ambiente do Judiciário.  Ocupação de espaços e autenticidade  Luiz Henrique de Paula Costa, de 27 anos, é integrante do Inclusão Legal, projeto social que oportuniza pessoas por meio do trabalho nas persas Unidades Organizacionais do TJRJ. Ele contou que, ao ingressar no programa, foi aconselhado por terceiros a cortar seus cabelos para parecer mais “sério”, “arrumado” ou “formal”. No entanto, o projeto lhe mostrou que ele pode atingir seus objetivos sendo quem ele é. “Palestras como essa são importantes para que esses jovens sejam instruídos a seguir por um bom caminho, sem sofrer nas mãos de pessoas preconceituosas”, concluiu.   DA*/IA *Estagiário sob supervisão Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ
17/06/2026 (00:00)
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