Controle de Processos

Insira seu usuário e senha para acesso ao software jurídico

Notícias

Newsletter

Cotação da Bolsa de Valores

Bovespa 0,92% . . . . .
Dow Jone ... % . . . . .
Espanha 0% . . . . .
NASDAQ 0,02% . . . . .

Previsão do tempo

Segunda-feira - Santos, SP

Máx
33ºC
Min
22ºC
Parcialmente Nublado

Terça-feira - Santos, SP

Máx
33ºC
Min
24ºC
Parcialmente Nublado

Segunda-feira - São Paulo,...

Máx
33ºC
Min
22ºC
Parcialmente Nublado

Terça-feira - São Paulo, ...

Máx
33ºC
Min
23ºC
Chuva

Segunda-feira - Florianópo...

Máx
32ºC
Min
23ºC
Parcialmente Nublado

Terça-feira - Florianópol...

Máx
33ºC
Min
24ºC
Parcialmente Nublado

Segunda-feira - Curitiba, P...

Máx
32ºC
Min
20ºC
Chuva

Terça-feira - Curitiba, PR

Máx
32ºC
Min
22ºC
Chuva

Segunda-feira - Cuiabá, MT

Máx
34ºC
Min
25ºC
Chuva

Terça-feira - Cuiabá, MT

Máx
33ºC
Min
25ºC
Parcialmente Nublado

Segunda-feira - Belo Horizo...

Máx
27ºC
Min
21ºC
Chuva

Terça-feira - Belo Horizon...

Máx
30ºC
Min
20ºC
Chuva

Segunda-feira - Sete Lagoas...

Máx
27ºC
Min
21ºC
Chuva

Terça-feira - Sete Lagoas,...

Máx
30ºC
Min
20ºC
Parcialmente Nublado

Segunda-feira - Campo Grand...

Máx
30ºC
Min
23ºC
Chuva

Terça-feira - Campo Grande...

Máx
31ºC
Min
22ºC
Parcialmente Nublado

Cotação Monetária

Moeda Compra Venda
DOLAR 4,85 4,85
EURO 5,32 5,32
LIBRA ES ... 6,19 6,20
IENE 0,03 0,03
PESO (ARG) 0,01 0,01

Webmail

Clique no botão abaixo para ser direcionado para nosso ambiente de webmail.

Conquistas no papel, lacunas na prática: OAB Paraná reúne juristas para debater direitos LGBTI+

A OAB Paraná abriu nesta quinta-feira (11) o I Congresso Estadual de Diversidade Sexual e de Gênero, promovido pela Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero (CDSG) da seccional. Ao longo de dois dias, magistrados, advogados, pesquisadores, representantes de instituições públicas e especialistas de diferentes áreas se reúnem para debater os principais desafios jurídicos, sociais e institucionais relacionados aos direitos da população LGBTI+. Ao saudar os presentes, o presidente da OAB Paraná, Luiz Fernando Pereira, reafirmou o compromisso institucional com a pauta desde o início de sua gestão. “Não contem comigo para tratar a luta pelo direito das minorias como pauta descartável”, disse. “Sei que há quem prefira o silêncio confortável, a neutralidade que não incomoda ninguém. Mas a OAB não foi feita para o cinismo ou para o conforto. Foi feita para a coragem — e para fazer o certo, o que nunca dependeu de agradar a todos”, afirmou. Para embasar seu argumento, o presidente recorreu à literatura. Citou três obras que, segundo ele, mostram que a literatura entendeu o mecanismo do preconceito antes do Direito. Em O Avesso da Pele, Jeferson Tenório destacou a brutalidade silenciosa do racismo: “Para o homem negro, a pele chega antes da pessoa, antes do nome, antes do diploma, antes da palavra. A pele já foi lida, julgada e condenada.” No aclamado romance O aniversário, o italiano Andrea Bajani, vencedor do último Prêmio Strega, encontrou o retrato da violência de gênero que não deixa hematomas: uma mulher que foi sendo apagada dentro da própria casa, “anulada por um marido que decidia tudo — o que ela podia dizer, com quem podia falar, o que tinha permissão de querer. Ninguém perguntou o que ela queria ser. Bastou ser mulher para que todos decidissem em seu lugar.” Já em O Fim de Eddy, do escritor francês Édouard Louis, Pereira narrou a infância de um menino perseguido e espancado nos corredores da escola — não por algo que havia feito, mas pelo jeito de andar, pelo timbre da voz. “Ele aprendeu a ter vergonha de si antes de aprender quem era”. Das três obras, Pereira extraiu uma tese central: “Três corpos, três violências, um único mecanismo. O ódio não pergunta o que a pessoa fez — pergunta apenas o que a pessoa é. Ninguém é odiado por um ato. É odiado por uma existência.” E em Quem Matou Meu Pai, de Louis, encontrou a chave jurídica: a destruição do corpo do pai não foi destino nem acaso — foi política. “Se a violência é produzida, ela pode ser desfeita. Se a discriminação é construção, ela pode ser desconstruída — pelo voto, pela lei, pela advocacia, pela OAB”, sustentou. Para fechar, Pereira evocou um gesto histórico recente: o Papa Leão XIV pediu perdão, em sua primeira encíclica, pelo papel da Igreja na legitimação da escravidão racista. “Nenhum papa havia ido tão longe. Desconstruir incomoda, sempre incomodou. Quem enfrenta o preconceito paga um preço. E as instituições que enfrentam também pagam. A OAB sabe disso — e não recua”, frisou. O presidente da CDSG, Marcel Jeronymo Lima Oliveira, emocionou os presentes ao nomear uma realidade enfrentada cotidianamente: “Nós temos esse desafio de acordar todo dia e pensar se vale a pena viver. Não porque duvidamos das nossas existências, mas porque o mundo lá fora nos desafia a cada dia mais.” O advogado destacou o significado do posicionamento institucional da OAB Paraná para quem trabalha diariamente pela causa: “quando uma instituição se posiciona, como o presidente Pereira se colocou hoje, a gente fica mais à vontade para trabalhar, para acreditar que o mundo real de afeto, de acolhimento e de defesa de direitos é possível. E temos aliados e temos aliadas”, pontuou Uma trajetória de direitos — e os novos desafios A palestra magna de abertura ficou a cargo do desembargador federal Roger Raupp Rios, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, um dos mais respeitados especialistas em direitos humanos e persidade sexual do país. Sua fala conduziu os presentes por uma análise histórica e jurídica da trajetória de reconhecimento dos direitos LGBTI+ no Brasil — e colocou o congresso dentro dessa linha do tempo. Rios chamou a atenção para um dado que, segundo ele, revela algo singular sobre o Brasil: ao contrário dos Estados Unidos e da Europa, que começaram reconhecendo os direitos inpiduais de autonomia e privacidade, o Brasil percorreu o caminho inverso. “Nós começamos afirmando os chamados direitos sociais — saúde, previdência, trabalho, educação — e só depois avançamos para os direitos de liberdade e autodeterminação inpidual. É o caminho oposto ao percorrido por outros países.” O desembargador traçou uma linha cronológica das conquistas jurídicas: das primeiras ações sobre planos de saúde para casais do mesmo sexo, nos anos 1990, passando pela ADPF 132, que reconheceu a união homoafetiva em 2011, pela ADI 4275, sobre a redesignação de nome e gênero sem procedimentos médicos ou judiciais, até a criminalização da LGBTfobia pelo STF em 2019. Para Rios, a ordem dos painéis do próprio congresso — saúde, previdência, educação, trabalho, violência, acesso à justiça, representatividade e família — não é casual: “É praticamente a ordem em que a trajetória das reivindicações e dos reconhecimentos desses direitos foi acontecendo ao longo das últimas décadas”.””, pontuou. Mas o tom da palestra não foi apenas de celebração. Rios alertou para o avanço do que chamou de “ofensiva antigênero”, presente em projetos de lei, leis aprovadas e medidas administrativas: “vivemos momentos bem difíceis. Um compromisso que se vê desafiado, como nós não imaginávamos lá em 1990, pelas ondas de retrocesso, pelo neoconservadorismo, pela extrema direita.” Para ele, é justamente nesse contexto que eventos como o congresso da OAB Paraná ganham ainda mais significado: “A realização de um congresso como esse mostra como está viva essa luta e como ela se percebe necessária de um jeito diferente do que foi nos anos 1990”, defendeu. O magistrado também conectou a tradição autoritária brasileira — forjada por séculos de escravidão e golpes de Estado — à dificuldade histórica de o país reconhecer a dignidade e a liberdade inpidual como valores centrais do direito. E encerrou apontando para o papel da advocacia nesse processo: “A violência é produzida, ela pode ser desfeita. Se a discriminação é construção, ela pode ser desconstruída — pelo voto, pela lei, pela jurisprudência, pela advocacia, pela OAB”, afirmou. Idoneidade institucional Rios também alertou para o papel da sociedade digital nesse cenário. Para ele, as novas formas de subjetivação promovidas pelo ambiente online caminham na direção oposta à conquista de direitos. “Quanto mais nós somos bytes ou avatares, menos somos vistos como pessoa. E isso facilita não só a monetização do ódio, mas a própria gênese do ódio com ferramentas e dinâmicas absolutamente novas”, avaliou. O desembargador identificou no hipercapitalismo turbinado pela tecnologia um novo vetor da ofensiva anti-igualitária: “A troca da ideia de sujeito por empreendedor, que começa a ser quase intercambiável nos discursos de muita gente, não é inocente. Realimenta tendências autoritárias e institui outras formas de dominação e controle.” No encerramento de sua fala, Rios foi direto sobre o que está em jogo para as instituições jurídicas. Para ele, abrir espaços como o congresso não é uma concessão a um grupo minoritário, mas uma exigência de idoneidade institucional: “Existirem comissões e espaços como esse não significa uma concessão para um grupo minoritário. É a percepção institucional de que, sem essa perspectiva, a instituição não será capaz de cumprir a sua tarefa.” E concluiu reafirmando o papel insubstituível dos juristas na tradução das demandas sociais em direito: “Se os movimentos sociais têm toda a legitimidade de buscar a concretização dos seus direitos pelas vias da participação política, a tarefa das instituições jurídicas é traduzir isso juridicamente. Isso só os juristas podem fazer — e passos como esse propiciam essa qualificação”, afirmou. Pioneirismo Representando o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), a desembargadora Luciana Carneiro de Lara destacou as iniciativas do próprio tribunal no enfrentamento à discriminação e anunciou um evento institucional: “no dia 25 de junho, no período da tarde, estão todos convidados para um evento no Tribunal de Justiça voltado a combater a LGBTfobia, uma iniciativa da Comissão de Igualdade de Gênero”, frisou. A diretora de Comissões da OAB Paraná, Emma Roberta Palú Bueno, ressaltou o caráter pioneiro do congresso: “este é um exemplo do que buscamos incentivar: comissões protagonistas, comprometidas com temas relevantes para a advocacia e para a sociedade, capazes de transformar inquietações em ações concretas”, disse. A programação contempla oito painéis temáticos sobre saúde integral, previdência social, educação, mercado de trabalho, segurança pública, acesso à justiça, representatividade política e pluralidade familiar. Além das atividades acadêmicas, os participantes têm acesso à Feira de Empreendedores LGBTI+, à Estante de Patrocinadores e a trilhas temáticas de Saúde Mental e Bem-Estar e de Comunicação e Conteúdo Digital. O congresso é resultado de projeto desenvolvido no âmbito do Programa de Excelência da Advocacia (Proex) da OAB-PR e segue até esta sexta-feira (12). Saiba mais aqui.
11/06/2026 (00:00)
Visitas no site:  17940094
© 2026 Todos os direitos reservados - Certificado e desenvolvido pelo PROMAD - Programa Nacional de Modernização da Advocacia
Pressione as teclas CTRL + D para adicionar aos favoritos.