Justiça pela Paz em Casa fortalece prevenção e proteção às mulheres em Roraima
33ª edição da mobilização reuniu ações de conscientização, incentivo à autonomia e capacitação da rede de proteçãoCombater a violência contra as mulheres exige informação, prevenção, proteção e uma rede preparada para atuar de forma integrada. Em Roraima, a 33ª Semana da Justiça pela Paz em Casa ampliou esse debate, com uma programação que levou o debate para diferentes espaços, envolvendo mulheres, estudantes, escolas, forças de segurança e profissionais da rede de proteção.Realizada de 17 a 21 de agosto, a programação foi coordenada pelo Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID), e reuniu iniciativas voltadas às mulheres, estudantes, escolas, forças de segurança e profissionais que integram a rede de proteção.Para a juíza titular da CEVID, Suelen Alves, a programação foi marcada pela participação e pelo compromisso de levar à sociedade informações sobre prevenção às violências.“Foi uma semana de muitas atividades, e de muita entrega para a sociedade, no sentido de trazer à luz a prevenção às violências”, destacou.Autonomia financeira como ferramenta de transformaçãoEntre as ações, a segunda edição do Projeto Investidor Anjo aproximou mulheres empreendedoras de parceiros interessados em apoiar seus negócios. A iniciativa busca estimular a autonomia financeira e ampliar as oportunidades para mulheres que desejam desenvolver seus projetos.Participante do projeto, Sueli Pereira destacou como a experiência já começa a produzir mudanças em sua trajetória.“Está sendo muito bom para mim e já está começando a transformar a minha vida”, afirmou.O trabalho desenvolvido pelo projeto também recebeu reconhecimento nacional durante a própria programação da Semana da Justiça pela Paz em Casa. No dia 20 de agosto, o Investidor Anjo conquistou o primeiro lugar na categoria Serviços, subcategoria Inovações com Resultados Comprovados, do 3º Prêmio de Inovação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), realizado em Cuiabá, Mato Grosso.Prevenção desde a escolaA programação também levou o debate sobre violência contra a mulher para o ambiente escolar por meio do projeto Maria Vai à Escola. A iniciativa trabalha temas como respeito, prevenção e enfrentamento da violência com estudantes da capital e do interior, incluindo escolas municipais e indígenas.Para a professora Alcinda Muniz, discutir o tema com os estudantes é uma forma de ampliar a conscientização e formar multiplicadores de informação dentro e fora da escola.O projeto conta com seis aulas e, durante o Agosto Lilás, uma delas é utilizada para levar as atividades a diferentes escolas, fortalecendo o diálogo com crianças e adolescentes.Durante a programação, o projeto Maria Vai à Escola levou palestras do Agosto Lilás às escolas Francisco de Souza Briglia, Municipal Indígena Vicente André da Silva, Municipal Balduino Wottrich e Municipal Nara Ney de Araújo Santana, ampliando o debate sobre prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher entre estudantes.Homens também fazem parte da prevençãoOutra frente da programação foi o trabalho de conscientização e capacitação das forças de segurança. A participação no projeto Homens que Protegem levou para agentes da Guarda Civil Municipal e da Patrulha Maria da Penha uma discussão sobre preconceitos e comportamentos que podem influenciar situações de violência e também interferir no atendimento às vítimas.Para o servidor da CEVID, Sérgio Melo, preparar os profissionais que estão na linha de frente é fundamental para fortalecer a proteção.“Fazer essa apresentação e essa distinção pros guardas que estão à frente disso vem com essa importância nesse sentido, de que eles não carreguem esses pressupostos, esses preconceitos para os atendimentos e, portanto, reduzam o nível de violência, inclusive nos atendimentos também.”Patrulha Maria da Penha chega a São João da BalizaA programação também avançou para o interior do Estado. Em São João da Baliza, 14 guardas civis municipais foram certificados para atuar na Patrulha Maria da Penha, ampliando a estrutura local de proteção e acompanhamento de mulheres em situação de violência doméstica e familiar.A certificação marcou a preparação dos agentes para uma atuação especializada e articulada com os demais órgãos da rede de proteção.Também durante a Semana, foi realizada a 1ª Reunião das Equipes dos Juizados de Violência Doméstica, fortalecendo o diálogo entre os profissionais que atuam diretamente no enfrentamento à violência.Uma rede que atua em diferentes frentesDa autonomia financeira à educação, da conscientização dos homens à capacitação das forças de segurança, a 33ª Semana da Justiça pela Paz em Casa mostrou que o enfrentamento à violência contra as mulheres depende de uma rede que trabalhe de forma integrada.A mobilização integra o programa nacional Justiça pela Paz em Casa, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que reúne ações de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres e de articulação entre o sistema de Justiça e a rede de proteção.AcessibilidadeO site do TJRR oferece recursos de acessibilidade por meio do sistema Rybená, que facilita a navegação e a compreensão de conteúdos digitais por pessoas com deficiência. Para ativar essas funcionalidades, basta clicar em um dos ícones para utilizar as opções disponíveis no próprio portal.Texto: Eduardo Haleks - JornalistaFotos: NUCRI/TJRRAGOSTO/2026 - NUCRI/TJRR