Milei faz discurso contra "socialismo" e reclama de não poder visitar Bolsonaro durante participação em convenção do PL
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Javier Milei discursa em SP durante a convenção que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro — Foto: Reuters/Jean Carniel Javier Milei foi um dos convidados que discursaram na convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência neste sábado (25). Em um discurso inflamado, o presidente argentino fez críticas ao socialismo, valorizou a chamada "onda azul" na América do Sul e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de "lixo careca" após ter negada uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. "O Brasil pode se somar à transformação regional que, nos últimos anos, levou a América Latina a deixar de ser uma região associada à miséria romantizada, retratada por certas obras de realismo mágico, para se tornar um sinônimo de progresso. Creio firmemente que não há outro caminho capaz de afastar o risco que paira sobre o Brasil como uma 'espada de Dâmocles'", disse. 🔍 A expressão "espada de Dâmocles" é usada para descrever uma situação de perigo constante ou ameaça iminente. A origem está em uma antiga lenda da Grécia, na qual Dâmocles, ao ocupar temporariamente o lugar de um rei, percebeu que havia uma espada suspensa sobre sua cabeça por um único fio de cabelo, simbolizando a insegurança e os riscos que acompanham o poder. Michelle envia vídeo para convenção do PL, reforça papel da mulher e cita Flávio uma vez Além disso, criticou programas de transferência de renda, afirmando que governos de esquerda ampliam gastos públicos para obter vantagem eleitoral e deixam problemas fiscais aos sucessores. Segundo Milei, esse modelo leva ao aumento da dívida pública e exige, posteriormente, medidas de ajuste econômico. "Esse é o método que tem operado em toda a região: causar desequilíbrio econômico com o objetivo de 'comprar' votos para não perder o poder nas eleições seguintes. Depois, quando perdem, assume a direita, que precisa solucionar todos esses problemas, enquanto a própria esquerda, que os causou, ainda a culpa", comentou. O presidente citou países como Bolívia, Chile, Equador e Colômbia, todos na América do Sul, como exemplos. "Essa foi a tragédia do socialismo do século 21, nunca entregou aos seus sucessores um país pronto para continuar crescendo. Ao contrário, sempre deixou um Estado superdimensionado, economia destruída, moeda fraca e uma sociedade esgotada de servir como laboratório para experimentos socialistas", discursou. Em outro momento do discurso, Milei defendeu que um eventual governo de Flávio Bolsonaro deveria adotar uma política de disciplina fiscal, redução dos gastos públicos e diminuição da participação do Estado na economia, bandeiras que também marcaram sua campanha presidencial na Argentina. Ainda segundo o mandatário argentino, Flávio seria o candidato mais preparado para enfrentar o crime organizado. Para ele, políticas consideradas mais brandas com criminosos fracassaram na região e o Brasil precisaria de um governante disposto a combater organizações criminosas e o narcotráfico com firmeza. Visita a Bolsonaro negada Milei usou seu discurso para criticar o ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem chamou de "lixo careca". Na última semana, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu autorização ao ministro para que ele recebesse a visita do argentino, mas o pedido foi negado. "Estimado Jair, mando-lhe um abraço à distância. Tenho certeza de que, quando os obstáculos burocráticos forem superados, poderemos nos reencontrar e dar um abraço pessoalmente, querido Jair Bolsonaro", comentou. "A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández", continuou. "Isso não é nada além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis", completou.